As atitudes que tomamos no decorrer da vida são determinantes em nosso futuro. A partir delas formamos uma personalidade, construímos sonhos e buscamos a qualquer custo realizá-los. É certo dizer, que as conquistas e derrotas pelas quais passamos não depende do outro, e sim, de nós mesmos.
O rumo de nossas vidas resume-se em conseqüências do que fazemos. Se há algo que realmente queremos, mesmo que aparentemente esteja totalmente fora do nosso alcance, basta planejar as estratégias, pensar positivo e executar com o máximo de esforço. Não trata-se necessariamente de uma receita, mas a atitude algumas vezes é sinônimo de risco, que por bem ou por mal, é melhor corrermos.
No entanto, pode haver imprevistos, e esses sempre fazem os fracos desistirem. A imprevisão jamais pode ser confundida com derrota, pois imprevistos são etapas, fazem parte do amplo e complexo repertório dos vencedores. Não é fácil presumir as melhores atitudes, fazer o que achamos ser mais certo, nem tão pouco, deixar de fazer o que julgamos errado. O mais racional é arriscar, e isso ninguém poderá fazer por nós.
Assim, para que de fato quando pensarmos em fazer, já tenhamos feito. Sem medo de errar, sem medo de se arrepender. Pois em tudo que aprendemos, construímos, sonhamos e planejamos, o erro estará presente. Devemos encará-los como imprevistos e partir do princípio de que sempre caminharemos em direção a mira de nossos olhos. Portanto, haja o que houver, jamais olhe para trás.
Thiago Sicuro.
domingo, 15 de novembro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
ESCADA ROLANTE
Entrei numa dessas gigantes lojas de roupas pra comprar uma sunga e tive visões que me fizeram refletir como nunca fizera antes. Depois de escolher a peça que cobriria minhas partes no verão que se aproxima, mirei uma das filas do caixa e lá fiquei por longos minutos. De frente para essa fila onde tinha acabado de contar trinta e seis pessoas a serem atendidas, havia uma escada rolante, que rolava de cima para baixo trazendo pessoas do segundo para o primeiro andar.
Percebi que nao demoraria menos de quarenta minutos pra chegar minha vez e buscando algo que me tomasse esse tempo resolvi observar as pessoas que desciam escada abaixo diante de mim.
Pra começar, desceram dois "meninos" funcionários da dita loja onde estávamos, os dois usavam cabelos arrepiados, emplastados de gel e vestiam calça preta modelo social, difícil era saber qual delas estava mais apertada. E com um estilo todo fashion de ser, passaram por mim coxixando alguma coisa sobre um tal de Rogério.
Como o fluxo de pessoas descendo estava muito baixo, alguns minutos depois desceu uma senhora com um jeito de religiosa fervorosa, vestia uma saia longa que cobria os tornozelos e uma blusa de crochê de tom azulado, no pescoço um cachecol preto e no rosto óculos de grau fundo de garrafa dos maiores que já tinha visto até aquele dia. A senhora falava ao celular e a impressão de religiosa fervorosa só me durou até ela gritar um sonoro "puta que o pariu" que chamou atenção de toda a fila.
Foi-se a senhora desbocada sumindo de vista, e logo atrás dela um homem aparentando meia idade, baixinho, magro, cabeça chata, e olhos arredondados. Usava daquelas barbas modeladas por um barbeiro que acabou de fumar maconha e viajou nos traços... Imagine uma pessoa sem estilo, todo errado, era ele! Sabe aquelas calças manchadas que contém um bolso à cada centimetro quadrado? Ele estava com uma dessas. Sabe aquela blusa tão estampada que chega embassar a vista de quem insiste em olhar por mais de um instante? Ele estava com uma dessas. E sabe aquelas mochilas jeans que parecem ser feitas com tecido de calças desmanchadas? Ele tinha uma dessas, e segurava sobre um dos ombros. E pra terminar logo com ele (pois atrás dele vem mais). Sabe aquele sapatinho preto reluzente, brilhoso, espelhado? Nossa senhora, ele calçava um par daquilo... Ô paraibinha estranho!
E no rolar da escadaria lá vem um casal de roqueiros. Ela: Branca, cabelos pretos, unhas pretas, roupa preta, maquiagem preta, mochila preta. Segurava em uma das mãos um estranho e diabólico urso de pelúcia, preciso dizer a cor? PRETO!!!! Ele: Preto, e o resto das coisas também... Nossa, que casal bizarro... Depois de meia noite em frente ao cemitério, não há quem não corra de bater os calcanhares na bunda.
Parece estar descendo alguém normal, loiro, alto, forte, terno e gravata, pasta social à tira-colo, e sem esperar o deslize apressa o passo mesmo sobre a escada rolante, nesse instante olho de relance para o lado e vejo os dois ditos funcionários coxixando novamente, agora sobre o cidadão que descia a escadaria. Outro funcionário que parecia ser o supervisor os chamou ríspidamente a atenção, mas assim que seguiu os olhos deles e se deparou com o loiro, perdeu a fala e ficou a apreciar, pois pra minha pseudosurpresa, também era viado.
Com o aumento do fluxo de pessoas escada abaixo, passaram-se senhores, crianças, bombados, periguetes, pagodeiros, madames, obesos mórbidos, gente sem graça, gente engraçada, maridos cheios de sacolas e com cara de putos da vida, esposas revirando a carteira em busca de um cartão de crédito que ainda tivesse limite, entre tantas outras espécies.
Quase uma hora depois, despertei do mundo da obsevação para enfim pagar minha sunga. E ao botar a mão no bolso, percebi que havia esquecido a carteira no carro. Sem dinheiro, sem documentos e sem sunga, me restou apenas aceitar que estive ali por cinquenta minutos simplesmente para aprender sobre a riqueza das diferenças e o poder que elas tem em nos fazer refém do preconceito.
Portanto, cada um com suas diferenças, pois ser diferente é normal. Burro fui eu em esquecer a carteira quando mais precisei dela.
Thiago Sicuro.
Percebi que nao demoraria menos de quarenta minutos pra chegar minha vez e buscando algo que me tomasse esse tempo resolvi observar as pessoas que desciam escada abaixo diante de mim.
Pra começar, desceram dois "meninos" funcionários da dita loja onde estávamos, os dois usavam cabelos arrepiados, emplastados de gel e vestiam calça preta modelo social, difícil era saber qual delas estava mais apertada. E com um estilo todo fashion de ser, passaram por mim coxixando alguma coisa sobre um tal de Rogério.
Como o fluxo de pessoas descendo estava muito baixo, alguns minutos depois desceu uma senhora com um jeito de religiosa fervorosa, vestia uma saia longa que cobria os tornozelos e uma blusa de crochê de tom azulado, no pescoço um cachecol preto e no rosto óculos de grau fundo de garrafa dos maiores que já tinha visto até aquele dia. A senhora falava ao celular e a impressão de religiosa fervorosa só me durou até ela gritar um sonoro "puta que o pariu" que chamou atenção de toda a fila.
Foi-se a senhora desbocada sumindo de vista, e logo atrás dela um homem aparentando meia idade, baixinho, magro, cabeça chata, e olhos arredondados. Usava daquelas barbas modeladas por um barbeiro que acabou de fumar maconha e viajou nos traços... Imagine uma pessoa sem estilo, todo errado, era ele! Sabe aquelas calças manchadas que contém um bolso à cada centimetro quadrado? Ele estava com uma dessas. Sabe aquela blusa tão estampada que chega embassar a vista de quem insiste em olhar por mais de um instante? Ele estava com uma dessas. E sabe aquelas mochilas jeans que parecem ser feitas com tecido de calças desmanchadas? Ele tinha uma dessas, e segurava sobre um dos ombros. E pra terminar logo com ele (pois atrás dele vem mais). Sabe aquele sapatinho preto reluzente, brilhoso, espelhado? Nossa senhora, ele calçava um par daquilo... Ô paraibinha estranho!
E no rolar da escadaria lá vem um casal de roqueiros. Ela: Branca, cabelos pretos, unhas pretas, roupa preta, maquiagem preta, mochila preta. Segurava em uma das mãos um estranho e diabólico urso de pelúcia, preciso dizer a cor? PRETO!!!! Ele: Preto, e o resto das coisas também... Nossa, que casal bizarro... Depois de meia noite em frente ao cemitério, não há quem não corra de bater os calcanhares na bunda.
Parece estar descendo alguém normal, loiro, alto, forte, terno e gravata, pasta social à tira-colo, e sem esperar o deslize apressa o passo mesmo sobre a escada rolante, nesse instante olho de relance para o lado e vejo os dois ditos funcionários coxixando novamente, agora sobre o cidadão que descia a escadaria. Outro funcionário que parecia ser o supervisor os chamou ríspidamente a atenção, mas assim que seguiu os olhos deles e se deparou com o loiro, perdeu a fala e ficou a apreciar, pois pra minha pseudosurpresa, também era viado.
Com o aumento do fluxo de pessoas escada abaixo, passaram-se senhores, crianças, bombados, periguetes, pagodeiros, madames, obesos mórbidos, gente sem graça, gente engraçada, maridos cheios de sacolas e com cara de putos da vida, esposas revirando a carteira em busca de um cartão de crédito que ainda tivesse limite, entre tantas outras espécies.
Quase uma hora depois, despertei do mundo da obsevação para enfim pagar minha sunga. E ao botar a mão no bolso, percebi que havia esquecido a carteira no carro. Sem dinheiro, sem documentos e sem sunga, me restou apenas aceitar que estive ali por cinquenta minutos simplesmente para aprender sobre a riqueza das diferenças e o poder que elas tem em nos fazer refém do preconceito.
Portanto, cada um com suas diferenças, pois ser diferente é normal. Burro fui eu em esquecer a carteira quando mais precisei dela.
Thiago Sicuro.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
A doença de ser normal
Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o
padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito
"normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe
socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma
que está passando por algum problema. Quem não se "normaliza", quem
não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser
o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do
pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento que "exercem" tanto poder
sobre nossas vidas?
Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que
você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata
que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente
divulgados.
A normose não é brincadeira.
Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia
de querer ser o que não se precisa ser. Você precisa de quantos pares
de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos
até o verão chegar?
Então, como aliviar os sintomas desta doença?
Um pouco de auto-estima basta.
Pense nas pessoas que você mais admira: não são as
que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que
desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver
uma vida a seu modo.
Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não
patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser
original.
Não adianta querer tomar para si as ilusões e
desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer
demais.
Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam
para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma
mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais,
porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem
sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma
lhes é iluminada.
Por isso divulgue o alerta: a normose está
doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se
quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.
padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito
"normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe
socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma
que está passando por algum problema. Quem não se "normaliza", quem
não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser
o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do
pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento que "exercem" tanto poder
sobre nossas vidas?
Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que
você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata
que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente
divulgados.
A normose não é brincadeira.
Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia
de querer ser o que não se precisa ser. Você precisa de quantos pares
de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos
até o verão chegar?
Então, como aliviar os sintomas desta doença?
Um pouco de auto-estima basta.
Pense nas pessoas que você mais admira: não são as
que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que
desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver
uma vida a seu modo.
Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não
patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser
original.
Não adianta querer tomar para si as ilusões e
desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer
demais.
Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam
para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma
mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais,
porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem
sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma
lhes é iluminada.
Por isso divulgue o alerta: a normose está
doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se
quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
A GORDINHA ESTAVA CERTA
Ah, quer saber!? Resolvi mudar um pouco e revolucionar as coisas por aqui. Pois acabei de ler o blog de uma dita gordinha assumida e feliz que odeia as pessoas que vivem reclamando da vida, dizendo que odeiam seus corpos, comem compulsivamente e preferem passar longe de academias ou coisas parecidas. E sabe qual foi o resultado disso? Um blog SUPER VISITADO...
Ela é que está certa em viver do jeito que bem entende, vistindo o numero que bem entende e comendo as coisas que bem entende. E como entende!
Para a minha mais nova amiga gordinha legal (porque todas as gordinhas são legais, isso é fato), desejo os três **Ss** necessários pra viver, sorte , saúde e sucesso. Ah... E parabéns pelo blog, é claro! ACHEI O MÁXIMO. Portanto, daqui pra frente vou passar a fazer parecido e descrever as coisas que acontecem no dia-a-dia louco de viver entre loucos disfarçados de seres-humanos. E digo também, que como parte disso tudo, o mais importante é saber que existem pessoas acompanhando os desfeichos e se identificando com as coisas que leem.
Caso surjam por aqui alguns daqueles erros que assassinam o português, favor chamarem minha atenção, pois aqui não tem WORD pra sublinhar as burrices que depois de escrever não fazemos idéia de onde saiu. (ou tem? Não sei bem mexer nessas coisas).
Bom, amanha mesmo começo. Sairei à rua para viver essa vida obrigada, e quando voltar, estou certo que terei razões, motivos e histórias de sobra pra contar. Até lá!!!
Thiago Sicuro
Ela é que está certa em viver do jeito que bem entende, vistindo o numero que bem entende e comendo as coisas que bem entende. E como entende!
Para a minha mais nova amiga gordinha legal (porque todas as gordinhas são legais, isso é fato), desejo os três **Ss** necessários pra viver, sorte , saúde e sucesso. Ah... E parabéns pelo blog, é claro! ACHEI O MÁXIMO. Portanto, daqui pra frente vou passar a fazer parecido e descrever as coisas que acontecem no dia-a-dia louco de viver entre loucos disfarçados de seres-humanos. E digo também, que como parte disso tudo, o mais importante é saber que existem pessoas acompanhando os desfeichos e se identificando com as coisas que leem.
Caso surjam por aqui alguns daqueles erros que assassinam o português, favor chamarem minha atenção, pois aqui não tem WORD pra sublinhar as burrices que depois de escrever não fazemos idéia de onde saiu. (ou tem? Não sei bem mexer nessas coisas).
Bom, amanha mesmo começo. Sairei à rua para viver essa vida obrigada, e quando voltar, estou certo que terei razões, motivos e histórias de sobra pra contar. Até lá!!!
Thiago Sicuro
sexta-feira, 15 de maio de 2009
MEU PRIMEIRO JOGO DE BASQUETEBOL
Uma semana antes assisti uma breve aula prática sobre basquetebol, tive Paulo como professor, um grande amigo e também grande jogador, bolsista pelo time profissional da mesma faculdade onde estudei. Imaginava que os fundamentos me seriam úteis para uma ocasião de jogo, mas a verdade é que como em todo jogo entre amigos, o que importa são os fatos e não os pontos.
Ao sair do trabalho, em uma dessas terças-feiras a noite onde não se tem muito o que fazer , passava de carro pelo centro da cidade e percebi que atrás de um posto de gasolina havia uma quadra de basquete vazia, porém bem iluminada. Entendi que talvez fosse a deixa para o meu primeiro passo, ou melhor, arremesso. Aproveitando a coincidência de portar um short e uma camiseta na mochila, rebusquei um tênis esquecido no porta-malas junto a bola que ganhara de presente do amigo professor.
Estacionei meu “caixotinho” entre o posto e a quadra, e com a bola presa debaixo do suvaco lá fui eu. Caminhava feito um menino largado e feliz e ao mesmo tempo feito um adulto esportivamente atrasado que nunca na vida havia jogado basquetebol. Enquanto tapeava a bola contra o chão sem que ela sequer respeitasse as direções intencionadas, um grupo de cinco garotos olhava de longe meu devaneio. Constrangido, resolvi parar de correr atrás da bola e arremessa-la à cesta. Após umas trezentas tentativas, encestei duas vezes, e ainda era seguido pelos olhos dos cinco, agora acompanhado de cochichos.
Ouvi uma voz grave dizer: __ E aí grande, tem como nós jogá com você? Tentando ser natural para rebater sua gíria, usei a frase: __ Já é!!! O sujeito era gigante, aliás, nem sei por que me chamou de grande. Chamava-se Joel, mas seu apelido era Tanque, talvez pela medida 2x2, não de músculos, e sim da gordura que compunha uma barriga monstruosa. Os outros quatro também eram gente boa: Guilherme, Marquinhos, Vinícios e Pedro.
Guilherme era o mais habilidoso de todos, um negro alto, magro e de cabelos trançados desde o couro cabeludo, seu estilo me fazia lembrar do Brooklin, usava roupas como as dos jogadores americanos e arremessava com destreza. Marquinhos, como o nome propõe, tinha pouco mais de um metro e meio de altura, era branquelo e careca, tinha as pernas finas e os olhos esbugalhados a todo instante, difícil era entender como alguém daquele tamanho jogava basquete, mas logo que ele começou entendi como funcionava, Marquinhos era ágil feito uma raposa com fome e armava as jogadas com a velocidade de uma flecha Vinícios e Pedro jogavam muito bem, pareciam adestrados por alguma escolinha durante a infância, eram irmãos gêmeos, do tipo que se vestiam idênticos, os dois estavam penteados e de aparência muito limpa. Em tom de brincadeira olhei à minha volta perguntando se a avó deles aguardava o fim da partida do lado de fora da quadra, eles me olharam com ar de reprovação, e já que eram dois, permaneci calado.
Depois do aquecimento naquele clima de “pelada”, resolvemos jogar sério e dividimo-nos em duas equipes de três. Então ficamos Tanque, Guilherme e eu, versus Vinícius, Pedro e Marquinhos. Seria moleza, pensei, afinal jogaríamos contra uma equipe de dois gêmeos e um anão. Isso se não fosse por Tanque, aquele gordo sacana, que logo no primeiro lance estragou a partida com uma cena deprimente. Acontecera o seguinte, Tanque usava um calção frouxo que vez ou outra descia até a altura do “cofrinho”, que no caso dele mais parecia uma agência do Bradesco. E no embalo de uma jogada perfeita, Tanque lançou a bola à cesta ao mesmo tempo em que seu calção lançou-se ao chão, e numa mistura de pressa e desespero Tanque tropeçou no pano, rasgando o próprio short que o serviu ingratamente como corda para prender seus pés enquanto rolava de um lado para outro tentando se soltar. Não pude deixar de perceber que Tanque era o primeiro preto da face da terra que inexplicavelmente tinha a bunda branca, parecendo uma bandeira do botafogo. Só restou a mim e meus novos colegas, rir até não aguentar de dor na barriga. Fim do jogo.
Thiago Sicuro.
Ao sair do trabalho, em uma dessas terças-feiras a noite onde não se tem muito o que fazer , passava de carro pelo centro da cidade e percebi que atrás de um posto de gasolina havia uma quadra de basquete vazia, porém bem iluminada. Entendi que talvez fosse a deixa para o meu primeiro passo, ou melhor, arremesso. Aproveitando a coincidência de portar um short e uma camiseta na mochila, rebusquei um tênis esquecido no porta-malas junto a bola que ganhara de presente do amigo professor.
Estacionei meu “caixotinho” entre o posto e a quadra, e com a bola presa debaixo do suvaco lá fui eu. Caminhava feito um menino largado e feliz e ao mesmo tempo feito um adulto esportivamente atrasado que nunca na vida havia jogado basquetebol. Enquanto tapeava a bola contra o chão sem que ela sequer respeitasse as direções intencionadas, um grupo de cinco garotos olhava de longe meu devaneio. Constrangido, resolvi parar de correr atrás da bola e arremessa-la à cesta. Após umas trezentas tentativas, encestei duas vezes, e ainda era seguido pelos olhos dos cinco, agora acompanhado de cochichos.
Ouvi uma voz grave dizer: __ E aí grande, tem como nós jogá com você? Tentando ser natural para rebater sua gíria, usei a frase: __ Já é!!! O sujeito era gigante, aliás, nem sei por que me chamou de grande. Chamava-se Joel, mas seu apelido era Tanque, talvez pela medida 2x2, não de músculos, e sim da gordura que compunha uma barriga monstruosa. Os outros quatro também eram gente boa: Guilherme, Marquinhos, Vinícios e Pedro.
Guilherme era o mais habilidoso de todos, um negro alto, magro e de cabelos trançados desde o couro cabeludo, seu estilo me fazia lembrar do Brooklin, usava roupas como as dos jogadores americanos e arremessava com destreza. Marquinhos, como o nome propõe, tinha pouco mais de um metro e meio de altura, era branquelo e careca, tinha as pernas finas e os olhos esbugalhados a todo instante, difícil era entender como alguém daquele tamanho jogava basquete, mas logo que ele começou entendi como funcionava, Marquinhos era ágil feito uma raposa com fome e armava as jogadas com a velocidade de uma flecha Vinícios e Pedro jogavam muito bem, pareciam adestrados por alguma escolinha durante a infância, eram irmãos gêmeos, do tipo que se vestiam idênticos, os dois estavam penteados e de aparência muito limpa. Em tom de brincadeira olhei à minha volta perguntando se a avó deles aguardava o fim da partida do lado de fora da quadra, eles me olharam com ar de reprovação, e já que eram dois, permaneci calado.
Depois do aquecimento naquele clima de “pelada”, resolvemos jogar sério e dividimo-nos em duas equipes de três. Então ficamos Tanque, Guilherme e eu, versus Vinícius, Pedro e Marquinhos. Seria moleza, pensei, afinal jogaríamos contra uma equipe de dois gêmeos e um anão. Isso se não fosse por Tanque, aquele gordo sacana, que logo no primeiro lance estragou a partida com uma cena deprimente. Acontecera o seguinte, Tanque usava um calção frouxo que vez ou outra descia até a altura do “cofrinho”, que no caso dele mais parecia uma agência do Bradesco. E no embalo de uma jogada perfeita, Tanque lançou a bola à cesta ao mesmo tempo em que seu calção lançou-se ao chão, e numa mistura de pressa e desespero Tanque tropeçou no pano, rasgando o próprio short que o serviu ingratamente como corda para prender seus pés enquanto rolava de um lado para outro tentando se soltar. Não pude deixar de perceber que Tanque era o primeiro preto da face da terra que inexplicavelmente tinha a bunda branca, parecendo uma bandeira do botafogo. Só restou a mim e meus novos colegas, rir até não aguentar de dor na barriga. Fim do jogo.
Thiago Sicuro.
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